sexta-feira, 2 de junho de 2017

Jorge 14: Menos dois e mais dois

É uma bagunça isso aqui por causa do feitiço daquele viajante lá. Não gostei dele. Fez a cagada e não quer limpar, deixou pra mim. E agora o Raptic diz que vai embora, não quer saber mais dessa coisa de salvar o mundo, e que vai procurar as magias dele de outra maneira. A Lorivana não aguentou a pressão, acho que o viajante fez algum feitiço diferente na cabeça dela, pouco depois de chegar na cidade, ela se desfaracunchou no chão e nunca mais levantou.

Então sou eu, Jorge, o urso, filho de Alihanna, protetor da natureza, herdeiro de Durnmmantrku, que vou resolver essa zorra!

Peguei uma enxada, e fiz, em volta da cidade toda e depois pra dentro, um negócio daqueles que o Raptic me ensinou, ele falou que era o senta-a-grama de magia dos mágicos. Já que é o senta-a-grama, sentei bem no meio dele, fechei os olhos, respirei fundo a força natural de Alihanna, e abri os olhos da minha alma pra todos os seres naturais dessa cidade, e tentei tocar a todos, para sentir o vento com suas peles, ver com seus olhos, cheirar com seus narizes e ouvir com seus ouvidos. E fiz uma reza: "Deusa! Suas criaturas estão sofrendo! Seu servo pede humildemente para que faça que eles fiquem livres dessa maldição!".

A cidade ficou coberta por uma luz dourada por um tempinho, e quando a luz se apagou, os animais eram os animais de novo, e as pessoas eram pessoas de novo. E eu acho que Alihanna pode ficar feliz mais uma vez.

Agora somos só Irina e eu nessa viagem, e eu acho que vou passar pra ela as coisas escritas que o Raptic olhava sempre, pra ela poder olhar pra onde a gente vai. Enquanto ela ta tentando decifrar o que tá escrito com os escritos do Raptic, chega uma outra elfa perguntando por mim. Ela disse que conversou com um gato perto da cidade e que ele contou pra ela tudo que aconteceu, como que ele foi virar uma pessoa, e como que ele não tava mais virado em uma pessoa, e falou que ela tinha que falar comigo, e aí ela veio. E ela é uma xamã! Na minha tribo tá cheio de xamã, mas eu não sabia que elfos também tinham xamãs... Ela quer viajar comigo e com a Irina, o que é meio estranho... Quer dizer, não é estranho uma xamã querer viajar pelo mundo, ainda mais junto com a Irina, que também tem o poder de Alihanna... O estranho é que eu to atraindo elfo pra minha vida. Lá na minha tribo eu não vou poder contar que eu ficava andando só no meio de um monte de elfo, ou então me deserdam.

Viajamos para o sul. Alva é uma xamã ótima, e ela tem o poder de se transformar nos animais selvagens, e ela se transforma em cavalo, e ela se transforma em urso! Ela disse que esse é o poder da lua, e eu nem sabia que a lua podia transformar nos bichos! Aposto que foi a deusa que mandou ela vir viajar com a gente, só pode ser! ALIHANNA, OBRIGADO PELA ALVA! Mas não dava pra ter mandado uma anã?

Chegamos numa vilazinha bem pequena, e uma pessoa com um chapéu enooooooorme me pergunta se eu quero saber o meu futuro... Ora, como se o meu futuro não fosse voltar pra minha tribo e me tornar o chefe... Eu já sei o meu futuro, então eu disse pra ele que não precisava de se importar com isso não. Mas era conversado esse chapeuzudo, e ele foi e falou com a Irina, e com a Alva, e eu já não tava prestando atenção, mas aí a Alva ficou nervosa com alguma coisa e se transformou em cavalo de guerra, e o cara saiu em desabalada carreira, e eu mais que rápido subi na Alva, e ela começou a galopar e quando chegou perto eu pulei e segurei ele com minhas mãos, e aí apareceu um guarda, e levou o cara. Eu acho que ele era um ladrão.

Fomos comer na taverna, comi codorninhas e bebi cerveja, e depois comi mais codorninhas e bebi mais cerveja, não sei direito o que aconteceu nessa noite mas eu acho que uma pessoa do sul veio pedir a minha ajuda heroica e eu falei que já tava indo. E eis que de repente no outro dia tem mais um elfo que vai viajar com a gente... Não sei qual a desse cara, mas ele tem uma coruja maravilhosa, e a Alva disse que a gente tinha de todo jeito que ter essa coruja, e por isso o elfo tinha que vir com a gente também.

Bom, vamos para o sul!

Viajamos o dia inteiro, e fizemos um acampamento para dormir. E no meu sonho eu vejo ela: minha musa, minha deusa, minha guia, Alihanna!

GENTE, ALIHANNA TÁ FALANDO COMIGO! Pensei em fazer uma dança da alegria, mas me segurei... Será que ela consegue ler meus pensamentos? Ela ta falando um monte de coisas legais comigo, e me dando presentes... Não, pera, a luva, e a bota, e a galhada não são pra mim, é pra dar pros outros... E agora pra mim!!!! DEUSA QUE CE TA FAZENDO DOIDA???? Ela enfiou a mão no peito e tirou o coração dela, e fez um colar, e me deu! To beje...

Acordei de-ses-pe-ra-do! E com meu colar pendurado no pescoço já... Gritei todo mundo, coloquei a luva na mão da Irina enquanto ela resmungava  alguma coisa, joguei as botas pro elfo lá, e dei a galhada pra Alva colocar na cabeça. E aí o dia apagou. Ficou tudo escuro de eclipse. E um monstro dá um grito. Eu sinto que conheço esse grito, mas não tenho certeza. E aparecem fantasmas e esqueletos. Monstros da noite, no meio do dia escurecido pela sombra... Humpf...

Depois que quebramos todos os esqueletos, e desfumaçamos todos os fantasmas, o sol voltou, e aí tem jeito de continuar as andanças... Vamos ver até onde vai esse tal sul...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Jorge 13 - O mago Jorge e o mago Erian

Raptic pegou todas as pecinhas de metal, e montou uma chave com elas. Usando essa chave e o espelho pequeninho, o espelho no fim do corredor desapareceu. Atras do espelho, uma escada indo para cima. Vamos subir, eu e Raptic, as outras duas não quiseram. Entendo o sentimento, se eu subir isso e aparecer no meio do oceano, não vai ser bom pra mim.

No alto da escada, um dragão. Meus punhos se fecham ainda mais no cabo do machado. Odeio dragões, criaturas monstruosas de Megalokk. Ouço uma voz, vindo não sei de onde, falando várias coisas de teste e que tava observando bondade, carisma, e eu to procurando onde tem alguma pessoa, porque comigo aqui só tem o Raptic. E agora fala que temos que nos aproximar pra encontrar o Edrian!

Vamos em frente e o dragão desaparece, Raptic diz que era uma ilusão. Agora estamos todos aqui, o chão começa a se mover pra cima, e lá no alto está um dragão amarelo ainda maior que o outro! Meu joelho se dobra contra a minha vontade, e me sinto impotente frente a esse monstro. Ele demanda que deixemos o que é mais valioso pra nós aos pés dele pra que ele nos ajude. Mais rápido do que uma flecha da Irina, a Lorivanna coloca o ouro dela todo no chão. A Irina coloca as flechas. E o Raptic começa a brigar com o monstro. Ele segura o livro e diz que não vai deixar o livro dele coisíssima nenhuma, que ele precisa do livro pra fazer as coisas dele. Esse livro deve ter coisas muito boas lá dentro, porque todo dia o Raptic fica lendo ele com muita atenção quando a gente vai dormir.

O dragão ameaçou destruir o livro do Raptic se ele não entregasse, claro, monstros serão monstros sempre. E o mago jogou o livro junto com as outras coisas. Não tenho escolha. Esse é o pior sentimento que existe. Pra que foi que eu andei até esse castelo? Maldita paladina, me manipulando para ter com esse monstro nojento!

Eu me levantei com bastante esforço e olhei bem nos olhos desse maldito tomei a energia da deusa em meus músculos e disse "eu lhe ofereço a fúria de Alihanna". Falei bem alto pra ter certeza que ele entendeu o que eu disse. Como se a deusa fosse querer alguma coisa, a não ser a carcaça desse lagarto.

Ele lançou alguns livros pra nós, falou alguma coisa que eu não prestei atenção, e num segundo estamos de novo no deserto, e o homem está aqui, com os nossos pôneis. Esse Edrian acha que isso vai ficar barato, mas não vai. Eu tenho certeza que o Raptic vai embarcar comigo nessa. Lorivanna se rendeu muito rápido ao dragão, não entendi nada, ela sempre quer pegar o máximo de moedas e jóias, e nem piscou quando o dragão pediu tudo. Talvez ela apanhou com uma magia dele, não sei. A Irina é mais calada, não sei qual é a dela, mas se ela jogou ali as flechas como coisa mais valiosa, é porque ela gosta de espetar os outros, quem sabe ela não quer fazer espeto de dragão?

Agora estou mal humorado, e me sentindo ridicularizado. E não existe sentimento pior do que a falta de escolha.

Decidimos seguir a viagem pra onde temos que pegar a próxima arma da Jaga. Estaca com saudade do Christofar, e meu humor melhorou um pouco. Paramos para dormir.

Acordei no meio de uma névoa estranha, e ouvindo criaturas. Estou me sentindo mais alto, e acordei longe do meu machado. Tudo que tenho na mão é um cabo de vassoura. Não importa, corro até o inimigo, e tento bater nele com o pedaço de pau, mas não consigo acertar nenhum golpe, estou desengonçado. Esses golpes deles estão doendo bastante também. Sofridamente os inimigos são vencidos, e eu vejo um anão peludo segurando o meu machado e usando minha cabeça de urso! IMPOSTOR! Dou na cabeça dele com o cabo de enxada. A Irina me segura, e fala que ela é o Raptic, e que o anão que eu estou vendo sou eu, mas na verdade é a Lorivanna. Me solto das mãos dela, e dou na cabeça do impostor de novo!

Estou realmente no corpo do Raptic... Nada útil esse corpo, magro demais, fraco demais, alto demais. Faremos o melhor possível de uma situação de merda. A Irina chega e diz que vai me ensinar a usar magia. Com muito custo consigo fazer algumas coisas. Sinto uma energia estranha nesse corpo, toda vez que me concentro pra fazer uma mágica dessas. Tenho certeza que essa não é a energia de Alihanna. É interessante, no começo. Depois de algumas tentativas fico muito cansado, e consigo sentir a energia, mas não consigo controlar mais.

Chegamos a uma cidade próxima, e nessa cidade os animais estão falando, e as pessoas estão se arrastando no chão como bichos. Um avestruz está dizendo que a tartaruga descobriu que eles foram trocados de corpo por um viajante. A Irina conversa com o avestruz e diz que vamos ajudar a reverter essa maldição, já que também fomos trocados. Ótimo, agora temos que correr atras de um viajante, que provavelmente não é boa gente, e eu ainda tenho que estar no corpo de um mago elfo. Antes de sairmos, Raptic quer que eu faça um ritual, pensando na coruja do meu primo, a Docinho. Só que ele quer que eu pense na Docinho preta, e não branca como ela é.

Conseguimos encontrar esse viajante, seguindo umas dicas que a tartaruga deu. Ele é um fanfarrão, mas disse que vai voltar a gente ao normal, se passarmos por um teste. Primeiro ele quer que a Irina acerte uma maçã na cabeça da Lorivanna. A primeira flecha ela erra, e ela encontra repouso no ombro da ladina. A segunda flecha vai bem na meiúca da maçã. O segundo teste é pra Lorivanna abrir umas fechaduras, que ela faz sem problemas. E agora ele quer que eu leia um pergaminho de magia e lance uma magia em um outro mago que tá atirando em nós. A Irina tá aqui pra me ajudar a ler, mas é claro que dá errado. Não consigo fazer essas coisas. Essa energia é muito estranha e eu não gosto dela. A deusa que me ajude, se eu tiver que ficar nesse corpo, não sei o que fazer.

Felizmente a Irina conseguiu convencer o tal do viajante que ele tinha que transformar a gente de volta, já que fizemos o jogo dele, mas que não precisava se importar com a cidade. E isso foi exatamente o que ele fez.

Voltamos à cidade, e a confusão continua.

Raptic 1 - Erian

Enquanto o Jorge se recuperava dos ferimentos, eu analizei os fragmentos que ele havia coletado. Eles eram um tipo de quebra-cabeça, e com certa facilidade montei uma pequena chave. Era a chave do espelho menor e ao virá-la, o espelho maior se abriu e ganhamos acesso ao terceiro andar da torre.

Subimos eu e o anão na frente e nos deparamos com uma figura que parecia ser nada menos que um dragão de ouro. As garotas sobem logo atrás e se assustam, a pequena é muito covarde. Pelo tamanho do dragão, ele parecia ser jovem, mas mesmo um dragão jovem é demais para o nosso grupo. Começo a me indagar se a criatura percebeu a nossa presença e a elaborar um plano de fuga, mas ela logo invade a minha mente, dizendo que provamos o nosso valor e que devemos nos aproximar para conhecer o grande Erian. O Jorge precisa aprender a lidar com telepatia (risos). Eu, então, me lembro dos meus estudos sobre criaturas exóticas e que dragões metálicos são naturalmente bons. Eu, então, sigo em frente e percebo que aquela figura era apenas uma ilusão. Quando todos se juntar a mim, o piso começou a flutuar e chegamos ao topo da torre. Foi então que eu vi algo que jamais imaginei.

Um dragão ancião! Erian é um dragão dourado ancião! O brilho de suas escamas era mais dourado que o ouro mais puro que o anão das cavernas mais habilidoso pode ter extraído em seu melhor dia! A cabeça dele era maior do que o meu corpo! As garras dele eram capazes de empalar um gigante! Comecei a tremer. Larguei o meu cajado e me ajoelhei involuntariamente em reverência, meus companheiros fizeram o mesmo. Que raiva! Por que eu estou tão apavorado?! Por que me humilhei dessa forma? Maldito seja você, Erian! Passado esse estado de choque, o dragão começa a falar. 

Primeiro, ele pergunta pelo que viemos, depois diz alguma bobagem sobre eu estar entre o bem e o mal e que vai nos entregar os livros, mas que teremos que abrir mão do que é o nosso maior bem. Eu me neguei a entregar o meu grimório. Eu dependo dele para ter a minha merecida vingança! Tenho um reino para destruir! Então, o dragão ameaçou a minha vida como se não fosse nada e eu fui obrigado a abrir mão do meu bem mais precioso. Desgraçado condescendente! Besta imunda! Ninguém me ameaça! Um dia, eu mesmo arrancarei a cabeça desse jacaré idiota! Essa largatixa imunda fala com propriedade sobre moral, mas prefere defender essas ruínas a fazer alguma coisa de verdade para salvar o mundo. Quando estava prestes a abrir a boca para dizer umas verdades ao dragão, fomos teleportados para fora da torre, junto com o meu grimório e os livros mágicos. Eu nunca vou te perdoar, Erian!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Jorge 12 - Espelho, espelho meu

Uma estátua segura um espelho. No final do corredor tem um espelho. Dos dois lados do corredor tem vários espelhos. Esse Erian gosta muito de se ver mesmo.

Lorivanna tira o espelho das mãos da estátua, e vira pra lá e pra cá, analisando tudo, enquanto eu espero o que ela vai fazer. Ela então vai olhar um dos espelhos grandes, e só de olhar pro espelho ele fica todo esfumaçado. Estou atras dela olhando o que ela vai fazer, e dou um empurrãozinho nas costas dela pra ver se pega no tranco, mas ela é tão pequena e magrela, que vai parar lá dentro do espelho. Opa! Então dá pra entrar nesses vidros! Fico esperando o que vai acontecer. Escuto ela chamar o Raptic lá de dentro, então agora já sei que está tudo bem. Como eles não precisam de mim, viro de costas e tento entrar no outro vidro. AI MINHA CARA! Pô, dei de cara com o espelho!

Agora parece que precisam de mim, e lá vou eu entrar no espelho. Do lado de dentro eles tinham aberto um baú, e lá dentro do baú tem um pedacinho de metal, e todo mundo tá olhando pra ele. Então eu pego a pecinha, e pronto. A Lorivanna de novo fazendo aquela cara esquisita pra mim.

Pisamos pra fora, e estamos de novo no corredor dos espelhos, ainda bem, achei que eu ia aparecer em alguma praia mundo afora. E decidimos entrar em outro espelho. Não vi como faz pra esfumaçar o espelho, da próxima vez vou olhar. Dessa vez entramos em um lugar cheio de letras no chão. Agora que eu já sei as letras, to tentando ver direitinho as letras e ler as palavras. O Raptic foi mais rápido que eu, já que ele tá acostumado a ler coisas escritas, e falou como a gente tinha que andar no salão. Chegamos do outro lado, e peguei mais uma pecinha.

Voltamos pelo mesmo caminho, e eu acho que é o espelhinho que deixa a gente entrar no espelho grande, então pego ele pra mim, e a Irina me ensina como que usa. Então entramos em mais vários espelhos. Em um deles enfrentamos um bando de cabeças voadoras, e em outro enfrentamos plantas carnívoras com pés e bocas abertas, mas só que não eram plantas, mas eram quase plantas carnívoras, eu acho. Em outro espelho eu achei várias vitaminas de fechar feridas. Teve um espelho que tinha muitos baús que eu tive que cheirar e olhar bem de perto, escutar direitinho e depois abrir. Todas as vezes eu pegava um pedacinho de metal no fim.

E aí entramos no último espelho. Logo que eu entrei fui atacado por algum inimigo, e por sorte consegui me desviar. Meus companheiros entraram um a um enquanto eu duelava com esse demônio. Dois cachorros se juntaram à luta, nós quatro encurralados contra o espelho, tentando fazer o máximo pra segurar a onda contra esses três monstros. Mas nem tudo são flores nessa vida, e depois de uma machadada especialmente precisa dada pelo inimigo, minha visão ficou turva, meus joelhos foram ao chão, fiz o possível pra segurar o machado. Em seguida, o gosto de sangue na boca, vejo o salão tombar de lado, e meus olhos se fecham.

Não sei quanto tempo passei desacordado. O pessoal derrotou os monstros, e Raptic sabe alguma coisa de medicina, conseguiu estancar os sangramentos, fazer umas bandagens, trazer meu corpo pra fora do espelho, e ficaram esperando pra ver se ia dar certo, se eu ia acordar...

E acordei.

Mais uma vez senti o espectro vazio da morte passar por mim e depois me deixar em paz.

Não sei quantas vezes terei essa sorte.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Jorge 11 - O Machado Mágico Elétrico Impressionante

Na taverna, enquanto comemos e bebemos e ficamos famosos, surge mais uma figura estranha. Um pequeno gnomo se apresenta, diz que seu nome é Rinikliktsplitks, ou alguma coisa desse tipo, que ele trabalha pro rei Flinknitriplivlictimitclipis. Ele disse que esse rei estuda aquela letra no céu, e que ninguém mais se importa com aquela coisa. Já que somos heróis suuuper importantes que salvaram a cidade da gang que atacava, fomos escolhidos...

Chinikliktshitplitks avisou que se aceitarmos, ele vai arrumar um transporte pra gente ir pro castelo do rei dele. Ótimo, pelo menos não precisamos andar dessa vez. Resolvo ir a uma loja, saber se consigo comprar uma arma. Pergunto ao vendedor se ele tem alguma arma de magia, e ele me trouxe uma caixinha. Abriu a caixinha e lá dentro tem um bastãozinho. Não to entendendo, será que esse cara não me ouviu? Ele pegou o bastão, apertou um botão, e ele cresceu. O bastão ficou mais grosso, e cada vez maior, da ponta do bastão, começaram a se desdobrar dois fios arqueados de um machado grande, se você ouvir de pertinho consegue perceber que o gume tem uma coisa elétrica que passa, tá ouvindo esse bzzzzbzzzzbzzzzbzzz? É assim, sabe, amor à primeira vista. Essa é a minha nova arma: o Machado Mágico Elétrico Impressionante!

Passamos a noite na taverna pra descansar e no outro dia encontramos o pequeno gnomo em frente à taverna, com um grupo de galinhas de metal pra levar a gente pro castelo. Claro que você está pensando, então vou responder: não, não tem nada de heroico em andar por aí montado em uma galinha.

Chegamos no castelo do rei Trinkleglistleflintz, e fiz uma reverência, mas esse gnomo é muito estranho, toda vez que eu dizia "majestade" ele respondia "professor"... Não sei se ele tava esperando que eu ensinasse alguma coisa pra ele, mas nunca pediu nada, como que eu vou saber o que ele quer? O rei ofereceu uma refeição bem grande enquanto dizia que ele estuda a letra no céu, e que ninguém mais se importa com ela, e por isso queria que fossemos com ele pra dar uma olhadinha. Tudo bem, vamos lá ver essa tal de letra.

Vou dormir depois de me empanturrar. Acordo e descobro que Raptic e Irina saíram pra procurar livros. Então vou conversar com o rei Glimpstickzis. Ele insiste em me chamar de professor toda vez que eu chamo ele de majestade. Chego no lugar, e o rei tá fazendo umas coisas de metal, acho que aqui é a forja dele. Ele me mostrou um coiso pra ver estrelas. É um coiso que tem um buraco, e eu olho no buraco e aparece as estrelas. Só que eu tinha que olhar pra baixo pra ver. Esse rei acha que eu sou idiota, porque eu SEI que pra ver estrela tem que olhar pra cima! Vai ver ele que é idiota e não sabe.

Depois de voltarem da caçada aos livros, eu e a trupe nos preparamos pra viajar com os dois gnomos. Saímos e vamos pro lugar que tem o barco que vai nos levar pra perto da letra. E eu fico beje, porque o barco não tá na água. Ele tem mais ou menos o formato de uma pássaro. Será que a gente vai ter que empurrar até um rio? Não, tão mandando a gente subir. Tá. Entramos todos no barco, o rei tá no lugar de pilotar, e o barco começa a bater as asas, e nesse momento eu descubro que a gente vai VOAR DE BARCO!!!! Alihanna me salve! Onde é que eu vim parar?

Vamos então voando, e eu tento me manter o mais afastado possível de todas as beiradas desse barco-gaivota. Viajamos por um bom tempo até que apareceu outro barco, e aí disseram que eram piratas. Claro, não se pode ter uma viagem tranquila. Pulam de corda no nosso barco, e imediatamente jogo um deles lá de cima. Não consegui jogar mais nenhum, os outros a gente teve que bater com as armas mesmo...

O navio deles começou a atirar no nosso, parece que vamos afundar. Ou cair... Isso, vamos cair. O rei foi bom na pilotagem, e passamos por alguns mal bocados.

Já vi muita coisa voar, mas barco é a primeira vez. Não bastasse, agora to vendo um cavalo voando. Um cavalo preto, com as patas pegando fogo, deve ser do tanto que ele teve que correr pra pegar vôo sem asas. O cavalo vem acompanhado de dois demoninhos, e montado nele um pirata. Não... Parece que não é um pirata. Ele tem a pele roxa, os dentes bem afiados, um rabo de jacaré, e a barba parece um monte de tentáculos...

Ele disse que estamos no terreno dele. Eu falei que não estamos, porque estamos voando, e o terreno dele é lá em baixo, mas não colou, claro. Tivemos que lutar contra esse cara, mas eu não quis bater no cavalo. Ele tava bem nervoso, só que os cavalos ficam assim por causa dos donos. Esse pirata aí deve ser um péssimo companheiro pro animalzinho... O cavalo acabou morrendo no meio da luta, mas eu prometo que não fui eu que bati nele. Eu to é apanhando pra esse barbudo maldito. Ainda bem que eu tenho todo o poder que Alihanna me deu, e esse maltratador de cavalos acabou perecendo sob gume elétrico do meu machado.

Chegamos perto da letra do Edrian, e o navio para. Conseguimos ver uma escada, por onde subimos, e no alto uma porta, mas o rei e o outro gnomo não conseguem subir. Não é porque os degraus são grandes, é porque eles não conseguem mesmo, parece que tem uma barreira que só deixa a gente passar. Última coisa que vi deles foi o Xitzfliktz fazer uma cara de completo espanto quando o Raptic mostrou pra ele o que tinha por baixo da roupa. Talvez eu também ficaria espantado...

Abro a porta, passamos por ela, e, surpresa, estamos de volta no castelo...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Jorge 10 - Cadê a escada?

Os outros tão mais ferrados que eu, se for possível. Todos sentiram o calafrio, ninguém sabe o que é, e agora todos nós estamos olhando pra essa enorme escada, e decidimos subir. No alto da escada eu abri uma escotilha, e ao entrar, pisei em terra e grama. Olhando pra cima, vi o céu, nuvens, e senti o cheiro do ar úmido de um lugar fora do castelo, mas que não é no deserto também. Quê? Não sei...

Levou um tempinho pra acostumar com essa ideia aqui. A escada se foi, a escotilha sumiu, sei lá cadê, e aí não dá pra voltar mais. Só nos resta ir adiante. Ouço um barulho ao longe, e vejo fumaça no céu. Olho para baixo, procurando o fogo, talvez uma vila foi incendiada, mas o que vejo só pode ser descrito como minha mente me pregando uma peça. Uma enorme cobra se arrasta no horizonte. Ela solta fumaça pela cabeça, e parece que recebeu uns cortes de algum tipo de espada no corpo, mas continua firme em seu caminho arrastado. Nunca ouvi falar em cobras desse tamanho, e na verdade tenho mais receio da espada que fez esses cortes do que da criatura.

No alto do céu vemos uma letra escrita. Raptic diz que é a letra do mago que queremos encontrar, aquele que a gente tava dentro do castelo dele, e agora não estamos, e não sabemos voltar pra dentro dele, e vamos em direção à letra. Uma carroça passa quase por cima de mim, mas não pode ser possível, porque ela não tem cavalos, e mesmo que tivesse, não existem cavalos que galopam tão rápido. Onde é que eu vim parar?

No caminho eu vi 5 lobos. No momento em que os vi, a fúria de Alihanna se acendeu em mim. Esses lobos não eram criaturas da deusa, não mais. Foram modificados por algum tipo de magia maligna que fez parte de seus corpos serem como aço. Pernas metálicas que soltam fumaça ao se mover, mandíbulas metálicas, todas as criaturas mudadas... É meu dever dar paz para as criaturas afetadas por essa magia demoníaca.

Com a minha espada e a ajuda dos meus companheiros, um a um os lobos dormem o sono eterno de Alihanna. Paz para o espírito bestial de todos eles. Que eles se encontrem inteiros e intactos nas grandes florestas e campinas da deusa...

Andamos até chegar em uma cidadezinha. Minha raiva ainda não tinha diminuído, mas o que se pode fazer quando se está andando sem rumo em uma terra desconhecida?

E qual não foi a minha surpresa ao ver que muitas das pessoas estavam sofrendo dessa maldição metálica... Será que esse mago Edrian sabe que isso tá acontecendo dentro da casa dele? Cada vez que essas pessoas se mexem  sai uma fumaça da parte metálica. Será que eu só vejo isso porque sou de outra terra?

Algumas pessoas chegam na cidade, do lado contrário ao qual chegamos, e os que parecem ser os moradores, começam a entrar nas casas, e se esconder. Um dos caras fala que quer pagamento do tributo que a cidade deve à gang dele. Estranho. O que seria uma gang? Não estamos gostando nem um pouco do jeito que esse cara fala, então dizemos que é melhor pra ele se deixarem essa cidade em paz. E ele pega uma caixinha no bolso, e aponta ela, e uma luz vem na minha direção. Esse sujeito realmente quer me iluminar nessa hora que eu to fazendo minha pose imponente segurando a espada? Outros estão segurando chicotes, mas toda vez que o chicote estala, um raio aparece nele todo. Hmm... Muito estranho...

Bati muito nesses tal gang. A cidade tomou vida de novo, as pessoas começavam a aparecer nas ruas, todas felizes e saltitantes porque os bocós tinham sido derrotados.

E agora estamos em uma taverna, fomos empurrados pela multidão, e estão nos comprando bebida e comida como se fossemos famosos ou algo do tipo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Jorge 9 - Abutres na areia.

Descanso dos vitoriosos sempre é bom, mas nem sempre é sentado do lado do cadáver da mulher leão que você acabou de matar... Na guerra a gente fica com o que tem; lá fora tá um sol da moléstia, aqui dentro tá um pouco mais fresco, e ainda é na sombra...

Tô vendo a Lorivana e o Raptic olhando bem de perto toda a decoração da casa, cada copo dourado, cada prato... Eu já tenho meu copo de colocar água, não preciso desses outros; o meu ainda por cima tem tampa, aí a água não cai quando eu viro ele de cabeça pra baixo. Esses outros copos eu só vi lá no castelo do rei anão, aquele que me deu o Christofar... O rei... O rei pai do Clóvis! E lá vem a Lorivana me dizer pra colocar todos esses copos na mochila. Pra quê, se eu já tenho um copo? Mostro a ela o meu copo, falo que não precisamos dessas coisas todas, mas ela tá muito preocupada da gente deixar tudo aqui... Lembra que antes foi a mesma coisa com as moedas? Eu acho que essa halfling tem um problema com coisas brilhantes. O Raptic também vem me dizer que acha que a gente tem que levar tudo. Eu nem sei se vai caber tudo na mochila. Esses dois tão ficando é loucos, mas vá lá, deixa, depois a gente vai precisar colocar uma coisa realmente importante na mochila, e não vai caber, porque tem uma cozinha inteira aqui dentro!

Olhamos a cozinha da dona Margarida, e alguém me diz que tem uma alavanca de puxar. E a Lorivana tá lá olhando bem de perto e apalpando a alavanca, acho que ela é muito pequena pra conseguir puxar, coitada. Ainda bem que Jorge está aqui! Chego heroicamente e, com uma mão só, puxo a alavanca! Ela mal consegue acreditar no que eu fiz! Vejo seus olhos se arregalarem de espanto... Fico feliz de ter ajudado uma companheira, mesmo que seja depois dela ter enchido a nossa mochila com copos inúteis...

O chão tá abrindo! Gente, o chão tá abrindo! ABRIU O CHÃO! Ó, uma escada... Vamos descer a escada? Tá todo mundo de acordo com a gente descer a escada que abriu no chão da cozinha da casa da mulher leoa que acabamos de matar? Tá bom então, vamos descer a escada... Eu vou na frente, já que estou me sentindo heroico hoje. Mas alguém vai lá fora antes pra buscar meu cavalo! Beleza!

Desci a escada, que terminou em um corredor. Está bem escuro, mas meus olhos de anão conseguem ver perfeitamente. E eu vejo que esse corredor não tem teto, ou se tem, não dá pra ver. E eu vejo os musgos nas paredes de pedra, as teias de aranha que vão até lá em cima, e até o chão. E eu vejo o chão transparente, de algum metal que não conheço, e por baixo, eu vejo cabeças de defuntos, mortos há muito tempo. Cabeças de muitas espécies diferentes, todas amontoadas debaixo desse chão invisível. Lorivana acende uma tocha, esqueço que ela não tem essa dádiva da visão.

E vamos andando. Andando... Andando...

Andando...

Andando...

Andando...

E essa porcaria não acaba! Eu juro que agorinha eu vi uma pessoa dentro da parede! Mas a parede é de pedra, não dá pra ter gente lá dentro, dá? Não sei, mas que eu vi, eu vi. Droga de túnel. Eu sinto que já tem 5 dias e meio que to andando sem parar aqui dentro. Tômuitoirritadomesmonãoseicomoqueeuaindanãomateiumdessescarasaquinesseescuro.

Cinquenta e sete dias depois, saímos desse inferno, graças à Paçoca, que me disse que era melhor continuar andando em frente do que voltar esse pedaço todo. Puxei outra alavanca, e abriu uma saída. Nunca se sabe o tanto que o sol do deserto faz falta até ficar 3 anos dentro de um túnel.

Bem na nossa frente, um enorme castelo. Parece que tem uma camada no ar, com uns desenhos. Os cavalos não vão adiante, então desmonto e vou caminhando na areia em direção à camada. Um velho aparece, e já sabemos o que vai acontecer. Ele fala "quantas maçãs dá pra colocar num cesto?", e já respondo, porque essa eu sei: são oito! Eu sei disso porque uma vez fui colher com o Grumj. Imediatamente a areia começou a se remexer debaixo dos nossos pés, e vamos afundando aos poucos. Do meio da areia pulam duas harpias e começam a nos sobrevoar. Ah, esses abutres... Como eu ODEIO abutres! Carniceiras malignas, enganadoras, sereias dos ares! Difícil bater em harpias que voam enquanto você se afunda no meio do deserto, então pego uma delas pelo pé de galinha, e isso me mantém o suficiente, o problema é manejar a espada e segurar essa maldita ao mesmo tempo.

Lorivana vai se afundar completamente em pouco tempo. Não estou preocupado com os outros, são elfos e quase elfos. Embainho minha espada e grito pra ela se segurar na minha mão, e uso minha força pra puxá-la e lançar com cuidado no dorso da harpia. Deu certinho, se cooperassem, as harpias seriam ótimas montarias voadoras para halflings, mas harpias só servem mesmo pra virar cadáver. Lorivana penetra sua espada no pescoço da criatura, e Raptic tostou a outra. Assim que morreram as abutres, a areia fez questão de nos levantar, e a camada do ar desapareceu.

Entramos no castelo. Escuridão total. Não consigo ver meus companheiros. Nunca passei por isso. Não sei o que esperar. Não consigo ouvir ninguém também. Uma luz verde começa a iluminar o salão. Do outro lado vejo um anão, quase do meu tamanho, quase do meu porte. Sinto nele a fúria dos anões das profundezas, e já sei que minha guarda não pode se abaixar nesse momento. Lutamos ferozmente em combate singular, e a cada golpe da minha espada, ele parecia ficar maior. Até que tinha o dobro do meu tamanho. Sinto o sangue na garganta, minhas pernas bambeiam. Solto um urro de dor. Alihanna me dê forças. Giro a espada mais uma vez, quase morto, mas melhor que esse outro anão, que está totalmente morto. As luzes se acendem, vejo os outros agora, e sinto um calafrio. Um mal agouro. Como se o vento tivesse passado através de mim, e por um instante senti medo.